Pesquisa sobre fraudes financeiras - CVM - Parte 3

Pesquisa sobre fraudes financeiras - CVM - Parte 3

Publicado por: Departamento Jurídico Publicado: 22/07/2021 Visitas: 258 Comentários: 0

CVM divulga pesquisa sobre fraudes financeiras - parte 3

 

Continuação...

 

Na tentativa de traçar um perfil comum às vítimas de fraudes financeiras, foram realizadas perguntas acerca de seus dados demográficos e afirmações sobre comportamentos e crenças com as quais os respondentes deveriam marcar seu grau de concordância em uma escala Likert. O perfil das vítimas encontrado na pesquisa quantitativa não difere muito das não vítimas da nossa amostra. O público que caiu em golpes financeiros é composto majoritariamente de homens (91%), com idade entre 30 e 39 anos (36,5%) com renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (23%) e com pósgraduação (38%). Ressaltamos que a semelhança entre os grupos pode ser um reflexo de nossa amostra ter sido retirada de um grupo de pessoas que entrou em contato com a CVM.

Dentre as variáveis psicológicas e comportamentais levantadas pela pesquisa quantitativa, as afirmações cuja diferença entre os dois grupos foi estatisticamente significativa indicam que o comportamento relatado pelas vítimas demonstra pouca confiança nas instituições (acreditam que investimentos não regulados trazem mais retorno); sentimento de exploração, principalmente no cenário trabalhista; exposição ao risco; abertura a oportunidades de investimento; e maior suscetibilidade ao efeito manada (acreditando que quando quase todo mundo concorda com algo, não faz sentido se opor).

E é isso o que falei né, [tenho um perfil] agressivo e procurando inovação, coisas diferentes. Fora do mercado comum. Eu acho que a tendência de sair do mercado normal, onde tá todo mundo é de tu conseguir um retorno maior também, né (Entrevista realizada em 18 de novembro de 2020).

Por outro lado, as não vítimas apresentam menor suscetibilidade ao efeito manada (acreditando ser fácil dizer as pessoas quando discordam delas) e maior confiança nas próprias percepções. Desta forma, confirmamos nossas demais hipóteses (H3: vítimas de fraudes financeiras são mais propensas ao efeito manada; H4: vítimas de fraudes financeiras estão mais abertas a novidades.) A fim de melhor estudo, a partir das pesquisas qualitativas, identificamos três perfis, que podem não ser representativos da amostra total de vítimas.

O perfil 1, que chamamos de “Pagaram para ver” é constituído por pessoas que desconfiavam que era golpe, mas estavam dispostas a entrar em investimentos não regulados, para ver os desdobramentos. Queriam entender o funcionamento da fraude, e investiram valores pequenos para testar. Os esquemas prometiam lucros exorbitantes e os participantes não tiveram interesse em denunciar. Um entrevistado manifestou sua curiosidade em saber se conseguiria “ser mais esperto” que o fraudador.

Por que que eu entrei? Curiosidade besta. Curiosidade besta de saber como é que funciona, como é que o cara tinha a pachorra de vender um negócio daquele, né... E como é que funcionaria. Por outro lado, você também sempre tem aquela expectativa: ‘Pô, será que eu vou conseguir ser mais esperto que ele?’ (Entrevista realizada em 16 de novembro de 2020).

O perfil 2 consiste em indivíduos “Movidos pela confiança”, seja em quem fez a indicação por sua competência técnica e conhecimento, ou no próprio produto e seu retorno. Esses investidores relataram sentirem-se “cegos”, ou terem sido mal orientados. Os esquemas aqui envolvidos, em sua maioria, ofereciam uma rentabilidade mais modesta, comparada à do perfil 1 (em torno de 2 a 3% ao mês). Os pagamentos eram feitos de forma variada, podendo ser cartão de crédito, transferência para conta pessoa física ou jurídica. Os entrevistados eram mais propensos a denunciar através da justiça e/ou CVM.

No meu caso foi um pouco diferente porque essa pessoa que era muito próxima a mim, era um amigo meu, ele foi meu chefe. Ele começou a fazer investimentos pra ele, ter alguns bons retornos, e começou a trazer outros amigos em torno dele, então não houve uma divulgação maciça, em nenhum tipo de canal, mídia, nada, foi tudo no boca-a-boca. Pessoas semelhantes ao meu caso, que trabalharam com ele na mesma empresa, que inclusive ele tinha um cargo executivo alto. Foi uma surpresa geral porque ele era um executivo que ocupou cargos importantes em várias empresas, nunca houve nenhuma informação que desabonasse a conduta dele, muito pelo contrário. Tinha uma carreira consolidada, e para ratificar, dar um aval a isso tudo tinha o fato de eu ser amigo dele. (Entrevista realizada em 07 de dezembro de 2020).

O perfil 3 é composto por entusiastas do mercado financeiro, abertos a oportunidades, já familiares com investimentos de risco, que foram enganados pelo esquema. Relataram o interesse em conhecer a tecnologia utilizada (principalmente arbitragem de criptomoedas). As empresas não prometiam rendimentos, apenas apresentavam demonstrativos anteriores de lucros menos descolados da realidade do mercado. Os pagamentos eram feitos por meio de transferência para contas pessoa jurídica e a grande maioria optou por não denunciar. Os esquemas com criptoativos foram atrativos por oferecerem solução prática para a necessidade de acompanhar o mercado com muita frequência e a possibilidade de ganhos maiores do que se administrassem a própria carteira.

Eu conhecia as criptomoedas, já conhecia bitcoin, já até trabalhava com isso, já fazia trade com cripto. Só que aí, em função da proposta deles ser tão descolada do mundo que eu conseguiria lidar com cripto, fazer render criptomoeda. Trabalhando com moedas, eu acabei entrando nesse esquema em função dessa possibilidade, né (Entrevista realizada em 26 de novembro de 2020).

 

Conclusões da pesquisa da CVM

A confiança em terceiros e elementos de credibilidade (como aparência profissional de sites e plataformas, bom atendimento, sede física) são fatores muitas vezes decisivos para os aportes, juntamente com uma personalidade do investidor voltada mais ao risco, ao interesse por fugir do tradicional e a testar produtos inovadores. Fragilidades financeiras não foram apresentadas como motivos para investimento, ao contrário da vontade de lucrar, ganhar dinheiro, mesmo que sem um objetivo definido para direcioná-lo.

Outro achado importante da pesquisa é que a fórmula estereotipada dos golpes financeiros (como rentabilidades exorbitantes, bônus por indicação de terceiros e garantia de lucros) não define mais os golpes, que se adaptaram justamente para disfarçar sua ilicitude.

Os esquemas diminuíram os exageros, estão mais sofisticados e incorporando elementos que passam mais credibilidade, uma vez que a rentabilidade menos exagerada é percebida como factível pelos entrevistados, que dizem ser um valor possível de ser atingido com uma equipe dedicada e que entenda de mercado financeiro.

Assim, acreditamos que para o enfrentamento desta questão é necessário tornar acessível e amplamente divulgada a informação de quais investimentos e instituições são regulados, para reduzir o atrito do investidor que busca esse conhecimento. Também é essencial o desenvolvimento de materiais educacionais que foquem sobretudo em aspectos concernentes a rentabilidades “modestas” e incentivem a autonomia do investidor na escolha de seus investimentos, para que ele seja capaz de tomar decisões informadas e adequadas ao seu perfil e objetivos.

É preciso, ainda, fazer-se divulgar os órgãos necessários pela regulação de diversos serviços, no caso, o papel da CVM como reguladora de valores mobiliários. Para além disso, difundir a informação que, embora os investimentos possuam riscos, o maior risco é realizar investimentos não regulados, facilitando o acesso à informação das empresas e profissionais autorizados para prestar esses serviços.

 

Considerações finais da Organismo

Compactuamos 100% com as conclusões da CVM de que é extremamente importante levar ao investidor o maior conhecimento possível, tanto do ponto de vista dos investimentos enquanto produto, como do ponto de vista educacional. Acreditamos estar nas informações, conhecimentos, análises etc, as principais ferramentas de mitigação de riscos para os investidores. 

Para baixar o estudo completo, clique aqui

 

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